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Bruno Alexandre Tecnologia, infraestrutura e desenvolvimento

Como a obsolescência programada funciona na prática

Dependência, desempenho, prazo e troca. Os quatro pontos de pressão que levam o cliente a comprar de novo antes da hora.

Bruno Alexandre 17/10/2026 8 leituras
Como a obsolescência programada funciona na prática
A obsolescência programada funciona em etapas, e cada etapa aperta um pouco mais. Quem entende o caminho sabe onde está a saída.

Os quatro pontos de pressão do ciclo de obsolescência programada
Os quatro pontos de pressão do ciclo de obsolescência programada


A primeira etapa é a dependência. O produto entra na rotina com um padrão proprietário, e a partir daí todo o resto é construído em cima dele. Trocar de fornecedor deixa de ser uma comparação de preço e passa a ser uma reformulação de processos, de dados e treinamento. A dependência, nesse momento, é o que impede o cliente de barganhar.

A segunda etapa é o desempenho. O produto novo é apresentado como sensivelmente mais rápido, mais estável e mais seguro. Essa diferença é real, e também é convenientemente suficiente para criar a percepção de que o produto antigo já não serve. O desempenho comparativo, aqui, é argumento de venda e não medida técnica.

A terceira etapa é o prazo. A garantia acaba, o contrato de suporte expira, a atualização deixa de ser oferecida e a política de preços muda. O cliente recebe um aviso, com data, e a escolha passa a ser entre atualizar, migrar ou continuar sem suporte.

A quarta etapa é a troca. O produto que ainda funciona é substituído, e o valor investido no anterior vira uma perda. É aqui que a obsolescência programada mostra o que é de fato: uma transferência de custo do cliente para o fabricante.

O que costuma passar despercebido é que esse ciclo pode ser quebrado em qualquer uma das etapas. A dependência se quebra com padrão aberto e exportação de dados. O desempenho se quebra medindo a operação real. O prazo se quebra com contrato de suporte revisado e inventário de ativos. E a troca se quebra quando a decisão de trocar passa a ser técnica e datada, e não comercial e opressiva.

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